sexta-feira, fevereiro 03, 2006

Descriminação

Longe vão os tempos onde, tolhidas pelo medo, as pessoas escondiam as suas diferenças, com medo de represálias sociais. Desde que o Homem é homem e a Mulher é mulher, o acto de apontar diferenças entre semelhantes é prática comum. Uns são mais altos, outros são mais claros, outros não têm um plasma... É da nossa natureza debicarmo-nos e assim surge a descriminação.
Quando digo que longe vão os tempos onde as "vergonhas" eram escondidas, não quero dizer de forma alguma que a descriminação esteja em vias de extinção, muito pelo contrário, está-nos no genoma! O que se passa hoje em dia, que acho tão triste como a descriminação negativa é a positiva. Concretizando num exemplo. As mulheres, e bem, debatem-se por direitos iguais aos dos homens, que embora legislados, tendem a não ser aplicados. Mas quando são descriminadas pela positiva, as feministas nada dizem. No caso dum filho de um empregado de um companhia de transportes, este tem um passe social gratuito até aos 25 anos ou até completar os estudos (o primeiro que suceda). Pois bem, no caso das mulheres, esta benece é dada até se casarem! Eu interpreto isto como um atestado de estupidez: "Enquanto não te casares, nem dinheiro tens para comprar um passe, deois o teu marido trás dinheiro para a família!". Não sei se isto ainda continua assim, mas se não continuar, não é decerto por esforço de uma qualquer organização feminista, que dessas nunca ouvi uma palavra!
Por estes dias aconteceu algo que me chamou a atenção nesta direcção. Não propriamente a ver com o feminismo mas a ver com a descriminação positiva. Foi o caso das duas mulheres que tentaram casar-se. Parece que nada tem a ver, mas eu acho que sim! A história de descriminação por serem lésbicas é no mínimo triste. Se for verdade, o que infelizmente penso que será, mostra a ignorância latente nas pessoas, que misturam tendências sexuais com capacidades de trabalho! Encontram-se desmpregadas mas têm um advogado a tratar do caso... Mostram-se na televisão, provocam um debate aceso. Quando eu as vi sair do cartório, de mão dada, com o povo a aplaudir pensei: "Meu Deus, estamos perdidos!". Então a massa que supostamente as descriminou agora vem aplaudir e diz que acha muito bem, elas que se casem se gostam uma da outra?
Eis um caso de procura da descriminação positiva. Não sei se levadas pela sede de protagonismo dum qualquer advogadozeco de 2ª, se fartas de ver o Castel_Branco na TV e pensarem podiamos ser nós... o que é certo, é que é a procura da descriminação positiva. Isto meus caros é triste. Por mais que a fama é efémura e daqui a uns tempo tudo voltará ao normal. Daqui a uns anos, estarão a folhear as revistas, amarelecidas pelo tempo, onde deram insipientes entrevistas... e do número do advogado já ninguém responde!