sexta-feira, março 30, 2007

Meio cheio

Nas minhas deambulações nacionais apercebi-me de pormenores que de outra forma me passariam ao lado. Passo a listar alguns.

Mas o que é que interessa ao povo das Beiras ou do Minho o estado do trânsito em Lisboa ou no Porto? Engarrafamento na 2ª circular, atrasos na VCI… mas que raio têm eles a ver com isso? Por causa dos centros urbanos, todo o país apanha com uma data de minutos de informação completamente inútil.

Não se vive mal no interior. Hoje em dia as acessibilidades são boas, e qualquer ponto do país está mais ou menos acessível. Qualquer territa já tem um bom centro de saúde, restaurantes e alguma animação. Por certo nem tudo é bom, mas também não é tudo mau. Não me venham com tretas!

Enquanto esperava o Alfa na estação da Campanha, observava as pessoas na estação. Sempre gostei de comboios e continuo a achar que são para além de um óptimo meio de transporte, um meio essencial. Pessoas vêm e vão e sinto que aquilo sim é o pulsar do país, pessoas que tentam sobreviver.

Temos a mania de ver sempre o lado pior das coisas, o tão famoso copo meio vazio. Se bem que há uma metade que está vazia, temos de olhar pela que tem realmente qualquer coisa. Temos de ir juntando substância, e se cada um contribuir com pouco, é como a sopa da pedra. Encontro muita gente por ai, restaurantes no interior com bastante gente que anda a fazer negócio, que faz pulsar o país.

Abstraio-me por uma vez da parte vazia desta garrafa.

quarta-feira, março 21, 2007

Ando um bocado de sobrolho franzido com a vida. Parece ser uma espécie de evolução do estado de Neura, essa fiel companheira. Nestes últimos tempos, a falta de tempo de lazer, tem-me levado a colar as folgas com os dias de trabalho, e o meu pobre cérebro não consegue mudar de canal, quanto muito baixa o volume.

Não sou muito influenciado pelo estado meteorológico, antes sim pela luz. Estou ansioso para que a hora mude e finalmente resgate a hora vilmente me tirada há seis meses atrás. Quero cá saber se me tenho de levantar uma hora mais cedo, eu quero é viver!
Pensando melhor é mais uma hora para pensar. Não sei se me poderei dar a esse luxo!

Esta é também aquela fase do ano, a par do Natal, em que a confiança enche os seres humanos. Compras, planos de férias e a habitual triste retoma virtual com base no consumo, a célebre venda de trapos e quinquilharia. Alguém escrevia que em tempos decisivos como estes andávamos ocupados com aborto, eutanásia, casamentos homossexuais e outros tais. Revejo-me neste comentário. Parecem ser cíclicos os tópicos Lã-caprinenses que nos enchem de turpor… Ilusões de actividade, debate e participação democrática. Eu fui votar num referendo sobre o aborto. Agora a uma distância razoável sinto-me ridículo.
Ninguém nunca me referendou sobre a instituição Europeia, o envio de tropas para aqui ou para ali, sobre prioridades de governo. Você concorda que uma mulher não-sei-que-não-sei-quê-mais aborte? E a galinha da sua vizinha será realmente melhor que a sua?

quarta-feira, março 07, 2007

Passa-me ai essa vida, sff

Como vocês sabem as pessoas e os seus comportamentos fascinam-me. Não é o indivíduo só em si que me fascina, antes mais os grupos.

Há um grupo deste em que os seus elementos mudam de vida dum momento para o outro. Não me refiro a apostadores em jogos de fortuna, que acertam numa qualquer chave vencedora. Antes penso naqueles que, por via de relação amorosa, transpões a sua vida para a vida do outro. O que é engraçado, é que falam como se aquela tivesse sempre sido a sua vida. Os amigos mudaram, os sítios mudaram, os sabores e os cheiros… É a transposição de realidades. Fazem um copy da sua vida, e depois um paste special do conteúdo que trazem. Cola-se o conteúdo mas no formato do outro.

Penso que haverá um bom punhado de razões para isto acontecer mas, respeitando-as, não posso deixar de achar o resultado final triste. Ainda por cima, parece ser algo não muito sólido, são relações que se tentam impor ao tempo. A imagem que me vem à cabeça é uma calcificação deficiente dum osso partido. Quando feito à pressa, a zona fica hipercalcificada e irregular. Não tanto pela forma, será mais fácil de partir assim.

Este grupo parece sentir-se mais seguro pois a vida transposta parece já ter rotinas e mecanismos o que no dia a dia dão um jeitasso!