Lembro-me de ter ai uns 8 ou 9 anos e ter havido uma greve geral. Tenho memórias dispersas desses dias. Uma tensão pairava no ar, uma agitação calma das massas. A minha mãe discutia com o meu pai se haveria de abrir a loja. Não queria ser fura-greves mas pensava não ter muito a ver com aquilo. A minha mãe não tinha particular problema em ser conotada com fura- greves, contra o proletariado e afins. Ela tinha medo era que lhe mandassem uma pedrada na montra! Eu olhava cá de baixo e pensava que o melhor era não abrir… mais um dia de férias! E soube que a escola ia fechar. Mas ia fechar porque não havia continuas. Era estranho porque, por maior esforço que fizesse não conseguia pensar em nenhuma das funções das contínuas que, se não realizadas, impedissem o normal funcionamento da escola. Mesmo assim, era um dia sem escola e não era totalmente negativo, se bem que a minha professora nos ia passar ai uma 4 cópias!
O meu pai parecia calmo no dia da greve. A minha mãe decidiu ir abrir a loja mas pediu que o meu pai a fosse levar. Não havia comboios pó Rossio dizia ela. O meu pai, fazia a barba calmamente. A minha mãe esquadrinhava a casa nervosa. O meu pai tinha feito a escala da noite e ainda não se havia deitado. Ela puxava-me as golas e metia-me a camisola para dentro das calças, ajeita-me essa fralda da camisa! Mas para que mãe? Já sabes que me vou desfraldar todo.
O que eu não sabia é que, como não havia escola e o meu pai tinha de dormir, ia com a minha mãe para a loja. A minha mãe trabalhava numa loja de decorações enorme na baixa de Lisboa. Tinha montra para a rua Augusta e fazia traseiras para a rua dos Correeiros. O chão era alcatifado, muito confortável, que há altura me parecia ser mesmo muito parecido com a relva dos campos de futebol. A loja era comprida e muito movimenta mas, a parte que dava para a rua dos Correeiros era mais sossegada. Era para lá que eu ia. Adorava aquilo. Era tudo tão misterioso e labiríntico e perfeito! A porta para a rua estava no trinco mas, sempre que alguém entrava, o detector soava, o que fazia de mim o senhor absoluto daquele mundo. E o melhor: podia mexer em tudo! Sim, os tapetes não se partem!
O dia correu sem sobressaltos. Almoçamos no Regional, lanchamos um sumo de laranja e uma sandes de queijo (eu para qualquer sítio que fosse, levava o meu como tupperware com tampa, cheio ou de leite, água ou sumo de laranja, das laranjas da minha avó) e voltámos para casa à noite, mais cedo que o normal, de boleia com o meu pai.
Na quarta à greve geral.
O meu pai parecia calmo no dia da greve. A minha mãe decidiu ir abrir a loja mas pediu que o meu pai a fosse levar. Não havia comboios pó Rossio dizia ela. O meu pai, fazia a barba calmamente. A minha mãe esquadrinhava a casa nervosa. O meu pai tinha feito a escala da noite e ainda não se havia deitado. Ela puxava-me as golas e metia-me a camisola para dentro das calças, ajeita-me essa fralda da camisa! Mas para que mãe? Já sabes que me vou desfraldar todo.
O que eu não sabia é que, como não havia escola e o meu pai tinha de dormir, ia com a minha mãe para a loja. A minha mãe trabalhava numa loja de decorações enorme na baixa de Lisboa. Tinha montra para a rua Augusta e fazia traseiras para a rua dos Correeiros. O chão era alcatifado, muito confortável, que há altura me parecia ser mesmo muito parecido com a relva dos campos de futebol. A loja era comprida e muito movimenta mas, a parte que dava para a rua dos Correeiros era mais sossegada. Era para lá que eu ia. Adorava aquilo. Era tudo tão misterioso e labiríntico e perfeito! A porta para a rua estava no trinco mas, sempre que alguém entrava, o detector soava, o que fazia de mim o senhor absoluto daquele mundo. E o melhor: podia mexer em tudo! Sim, os tapetes não se partem!
O dia correu sem sobressaltos. Almoçamos no Regional, lanchamos um sumo de laranja e uma sandes de queijo (eu para qualquer sítio que fosse, levava o meu como tupperware com tampa, cheio ou de leite, água ou sumo de laranja, das laranjas da minha avó) e voltámos para casa à noite, mais cedo que o normal, de boleia com o meu pai.
Na quarta à greve geral.