Como as mentiras que são frequentemente repetidas parecem tornar-se verdade, também as situações há muito por resolver parecem um estorvo depois de resolvidas. Parece incrível mas é verdade, como um condenado a 20 anos ser libertado. Se 20 anos esteve preso como se sentirá agora que liberto?
Não lhe apetecerá marcar uma festa, tão pouco contar. A quem lhe perguntar se foi liberto ele apenas dirá, foi em precária, depois das férias volto lá para dentro. Habituado a ouvir o já falta pouco, nunca acreditou que faltasse pouco. Sempre viu esse dia como distante. Mas agora chegou. Já não vais voltar meu caro, já trouxeste a trouxa da cela e já te despediste dos colegas de cela (poucas amizades fizeste lá dentro!).
Será difícil de perceber aos demais que um condenado queira voltar à cela? A mim não. Vinte anos naquele lugar… A família já se habituara a ir vê-lo à prisão, os amigos (poucos) tinha-os lá dentro. A sua vida era ali, não a empurrar carrinhos de roupa suja mas sim a enroscar casquilhos na oficina. Portava-se bem, era convidado para os programas piloto, tirou cursos, leu livros, enfim, foi bem sucedido. Tão bem que quase não parecia estar preso.
Mas estava. Sempre que voltava da precária sabia que estava preso. Sentia o peso das correntes e as sombras das grades.
Agora está cá fora, liberto, perdido, sem saber o que fazer…
Não lhe apetecerá marcar uma festa, tão pouco contar. A quem lhe perguntar se foi liberto ele apenas dirá, foi em precária, depois das férias volto lá para dentro. Habituado a ouvir o já falta pouco, nunca acreditou que faltasse pouco. Sempre viu esse dia como distante. Mas agora chegou. Já não vais voltar meu caro, já trouxeste a trouxa da cela e já te despediste dos colegas de cela (poucas amizades fizeste lá dentro!).
Será difícil de perceber aos demais que um condenado queira voltar à cela? A mim não. Vinte anos naquele lugar… A família já se habituara a ir vê-lo à prisão, os amigos (poucos) tinha-os lá dentro. A sua vida era ali, não a empurrar carrinhos de roupa suja mas sim a enroscar casquilhos na oficina. Portava-se bem, era convidado para os programas piloto, tirou cursos, leu livros, enfim, foi bem sucedido. Tão bem que quase não parecia estar preso.
Mas estava. Sempre que voltava da precária sabia que estava preso. Sentia o peso das correntes e as sombras das grades.
Agora está cá fora, liberto, perdido, sem saber o que fazer…