terça-feira, janeiro 30, 2007

Através dos tempos fui dominando a fina arte de reconhecer uma neura. Quando não sabemos bem porque estamos assim dizemos que é a neura. Arranjámos o bode expiatório perfeito, só suplantado pelas enxaquecas e pelos nossos fies amigos, quando lhes pedimos sem qualquer receio para que confirmem a nossa história. Quantas vezes recebi um telefonema que do outro lado a informação era esta: “Para que conste, hoje estive a tarde toda na tua casa a jogar computador, pode ser CM.”.

A neura é assim. Existe per si sem precisar de outra qualquer razão. E todos os outros respeitam isto. Mas que tens pá, dói-te a barriga? Não sejas maricas… ah, ‘tás com a neura, ok, então não te chateio mais. A neura é aquela bola a quem nós chutamos com a maior força que tivermos, a velha almofada que recebe o nosso melhor golpe de direita seguido do uppercut, o grito para dentro do saco mas, com a diferença que é à descarada.

O tipo hoje está com a neura, não lhe digas nada. Passa-se alguma coisa? Está com a neura, ah ok, está com a mosca, acontece. Pois é abateu-se-me a neura, portanto não me digam nada.

quarta-feira, janeiro 10, 2007

Tudo corre sobre carris

Quando as coisas correm como prevemos poderá querer dizer que é bom. Diria antes que é uma prova que pelo menos estamos conscientes do que nos acontece, das nossas acções, das nossas capacidades mas, também e mais importante, das nossas limitações. Ficamos logo a saber onde é que acaba o Homem e começa o divino. Como nos jogos viciados, dificilmente se vencem, também onde o divino entra, o homem dificilmente mexe. É uma luta engraçada, pois a subtileza não está em como se desenrola o jogo mas sim nas condições do mesmo. È como se estivéssemos a jogar num campo inclinado na direcção da nossa baliza, ou se jogássemos com os atacadores atados entre os pés…

Pois, não chegaste ainda lá, sabemos que tens os pés e mãos atadas mas devias mesmo assim ter conseguido. É oficial, é o protelado. Quando uma acção é justificada por uma não razão não deve ser considerada… mas tem de ser aceite.

Pelo menos as coisas correm como se estava à espera e dá, ainda que pouco, uma sensação de conforto.

sexta-feira, janeiro 05, 2007

A primavera parece querer despertar. Embora alguns a tentem abafar ela consegue sempre vir ao de cima, tipo azeite. Não penso que o mesmo se passe com as mentiras. Já alguém o disse que uma mentira repetidamente reafirmada passa a ser verdade, passa a ser uma realidade montada e por vezes, tão desejada que parece ultrapassar toda a realidade anterior.

Ao contrário de que se possa pensar, nem todos os jogadores perdem, nem todos os maus são apanhados e, acima de tudo, poucos são os filhos da puta (tinha escrito intrujões mas é mesmo este o nome que quero aplicar) que são desmascarados. Eu posso dizer que sim mesmo sendo não. Se repetir o sim muitas vezes ele fará uma ressonância tal que ofusca o não, de tal maneira que a páginas tantas já nem sabemos o que temos em mãos. É como aqueles números de telefone que usamos tantas vezes que já nos parecem impressos como marcas dum ferro de coudelaria. Mas, deixado de ser usado, ele é rapidamente esquecido… ah pois é, é isso. Alguém nos aventa uma combinação de números que funciona como catalizador e então, dá-se o efeito de túnel, dando-se a reacção com uma barreira de energia menor.

Tento sempre pautar-me pelo contrário de tudo aquilo que escrevi. Tenho conseguido?

quarta-feira, janeiro 03, 2007

Novo ano. Estou com um estranho problema com a net em casa. Parece ser de luas.
A passagem de ano lá se passou, foi porreira mas, por mais que se faça há sempre qualquer coisa que parece que nunca encaixa na perfeição. Temos a consciência disso. Vivemos com isso.
Não seria inteligente tourear o Natal? As promoções começam agora, está tudo mais barato. O Natal implica que paguemos o dobro por objectos que poderão não servir o propósito... e como eu fico danado com isso.
Há dias que me apetecia ir para casa e ficar a vegetar, com consumo de 2 ou 3 gomas ursinho por hora. Há dias assim, mas também os há diferentes.
Olha, chega aqui!