terça-feira, fevereiro 27, 2007

Instantes...

Na caminhada matinal até ao comboio passei por um quiosque que tinha um expositor na rua. Para além duma imensa panóplia de jornais e revista, esteve também exposta uma das milhentas colecções “Planeta Agostinni”. Desta feita era de carros campeões de rallis, ou melhor, antigos campeões de ralli. É um florescer dum novo negócio: as coisas do nosso passado. Com a melhoria das condições de vida, emerge uma nova geração que teve na sua maioria uma infância feliz e farta. Esta geração tem agora condições para se lambuzar em tudo aquilo que os pais não lhe compraram. A cárie prospera!

São imensas as colecções de DVDs de séries dos anos 80 que nos fazem suspirar. Mas agora já temos o poder de concretizar os nossos desejos infantis. E cá vamos nós, com a desculpa de que é para os mais pequenos, comprar os desenhos animados que mais gostávamos, para ver em repeat.

Obrigamos assim os putos a ver aquilo que eles não gostam para que nós tenhamos uma desculpa para ver, alimentando nós assim uma indústria florescente de prestadores de serviços a pré adultos frustrados da infância passada!

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

Onde pensas que vais?

Que acham que acontece quando se pensa? É claro que por detrás da maior parte dos nossos actos está um pensamento. Claro que pensamos agir como nos é apresentado pelo nosso cérebro, resultado duma amálgama genética e de experiências. Não é bem por ai que eu quero ir. Ora vejamos: alguém me diz algo e eu, independentemente de quem é esse indivíduo penso no que ele disse. Articulando o meu pensamento com a informação por este fornecida vou desencadear uma reacção. É a esta reacção que eu quero chegar.

Salta desta ponte amigo, sem olhar para baixo, sem qualquer protecção que eu te garanto que nada de mal te acontecerá. É um exemplo forte mas aqui o uso mais num reforço da ideia. Parece-me claro que o John Doo não irá saltar, a menos que não seja o John Doo e seja o Odie, comandado pela voz doce de Garfield. Aproveitando-me da comparação, tenho por ai visto alguns Odies, talvez em número suficiente para me questionar se o mundo é duma qualquer irmandade de Odies… Penso, logo arranjo problemas. As pirâmides parecem ter um problema com não Odies e eu pensando até consigo perceber porquê. Imaginem uma térmita a questionar as pistas químicas… Jovens companheiras, a mensagem de baba diz que por ali há comida mas também sabemos que por ali há um não menos querido papa-formigas. Temos de fazer opções!

A questão e a dúvida em prol do esclarecimento cabal da informação com vista a uma acção é totalmente tolerada, mais incentivada. O pensamento em relação aos dados contidos numa comunicação e a possíveis actos que daí resultem não é encorajado.

Soldados, peguem nas vossas espingardas enferrujadas, desencravem as baionetas e marchem sobre o inimigo super equipado!

quinta-feira, fevereiro 22, 2007

O Castelo... uns anos depois

Uma vez li um livro do Kafka (rapaz bastante apanhadinho do clima) que falava dum castelo e duma vila no seu domínio. A certa altura aparece uma personagem, um tal agrimensor que viria supostamente para trabalhar no castelo. Mas não se sabe bem porque, nem por quem, é tudo meio nebuloso. O que é engraçado é que nem o próprio sabe ao que vem é aliás o que sabe menos. A princípio um tipo pensa ser aquele um raio dum livro escrito por um tipo completamente queimadinho (true!). Mas vendo mais além, acho agora o livro genial. Tudo se passa num nível quase extra dimensional, tocando-se as várias realidades quase por acaso. O que é engraçado é que os diferentes níveis não só pensam que se movem no mesmo como esperam que tudo entre eles seja transposto da mesma forma quando só aquele pequeno ponto de intercepção é igual.

Aparentemente tal castelo e tal personagem nada têm a ver com a realidade mas, passados uns anos, vejo que aquele louco era mesmo um génio!

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

Vens ou ficas?

Se eu sou uma bela gazela e se me cheira a gato, por certo não será persa! Mesmo que ouça um doce ronronar sei que me tenho de pôr a milhas. E aqui vou eu! Enquanto corro e dou saltos que mostrem ao gatito que estou no pleno poder das minhas forças vejo que o ronronar deu lugar a uma vontade imensa de me tirar um bife. Corri.

Ofegante, chego a uma zona de verdes pastos onde alguns da minha espécie se apascentam calmamente, ignorando completamente a minha desventura com o gato. Retomo o fôlego e meto conversa com um da minha espécie, bem que erva tenra, pois é mas aquela ali é melhor, debaixo daquela sombra. Que tipo fixe, ainda bem que se pode confiar nos da mesma espécie pois já há gatos a mais por ai! Desloco-me para a sombra, que visão, parece ser mesmo a erva mais fresca, onde passa um fino regato. Baixo-me para provar e vejo então que já não tenho chão por debaixo de mim…

Muá ah ah, devias saber, estás na selva!

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

Atenção: Radar

Sempre concordei com a lógica do radar –> foto –> multa. Acho uma imbecilidade os radares ligados aos semáforos que em nada não servem o intento. É certo que aquilo dispara e os condutores são assim lembrados, por via duma paragem forçada no sinal luminoso, que a velocidade não se coaduna ao local em questão. Mas isto não tem resultados práticos… non praxis! Muitas vezes quem faz disparar o sinal passa incólume ficando os labregos lá parados. Depois, que garantia há que o tipo que vai em excesso de velocidade respeita esta sinalização que não mais faz que o obrigar a parar numa recta sem entroncamentos. Por último há a razão ambiental e de sanidade mental. É mais prejudicial ao ambiente o pára/arranca e põe logo um tipo em parafuso ser obrigado a parar porque um menino se lembrou de pisar o acelerador. É o princípio de justiça de jardim infantil, por um pagam todos mas, neste caso os outros condutores não o podem apanhar o outro tipo num canto do recreio e enchê-lo de porrada!
Fazem merda, sorriam que a conta vai para casa! Não temos de estar a levar com a trampa dos outros e a tornar as deslocações em vias como a marginal semelhantes a deslocações de metro!

Gosto do nevoeiro. O desconhecido oculto na bruma… Todos aqueles rolos de humidade que nos deixam de sobreaviso, de sentidos alerta! É algo que aprecio pois normalmente quando o nevoeiro levanta, o tempo fica óptimo. É como que de uma prenda se tratasse.

terça-feira, fevereiro 06, 2007

Os cães ladram...

Entrámos Fevereiro a dentro. As folhas ainda não nasceram mas já se notam os dias maiores. É por estas alturas então que volto a pensar na Natureza das pessoas, potenciado por um qualquer acontecimento. Tempos houve em que se diziam ser as relações, acima de ligações de amos, contractos para a vida, em que os serviços domésticos e o criar das crias era trocado por uma estabilidade financeira mais ou menos estável. Como num contracto que agrada a duas partes, ele mantêm-se até que as partes se sintam satisfeitas. Podia não ser totalmente assim mas, o que também é verdade é que tirando aquele contracto, não se apresentava grande alternativa às partes.

Hoje em dia o amor continua a ser na maior parte das vezes, uma partilha de interesses e necessidades. Parece-me que a pólvora não foi redescoberta mas por vezes, o mais óbvio parece ser o menos visível. Ora, quando as necessidades e interesses não são satisfeitos as coisas começam a correr mal. Nestes contractos parece ser inevitável a quem dá a vontade de receber e quando se dá com a expectativa de receber, há a possibilidade de tudo correr mal. O amor associado à cabana muitas vezes parece começar ser verdade mas depois, há sempre alguém que acha que seja necessário ar condicionado, um plasma, um lugar de estacionamento, um robot de cozinha…

Exagero, ridicularizo, mas fico triste sempre que vejo edificações centenárias ruir, serem abandonadas, não por mim, mas por quem as construiu. Mas os cães ladram e a caravana passa…