terça-feira, novembro 13, 2007

Só uma breve passagem para dizer que ando parado de escrita. Um periodo de reflexão, ler mais que escrever como analogia ao ouve mais que fala!
É preciso!

quarta-feira, agosto 08, 2007

"Não quer ajudar?"

Fico sempre um pouco incomodado quando alguém me pede dinheiro para uma qualquer causa. Fico. Coitadas das crianças sem pais, dos com fome, dos velhotes abandonados aqui e ali. Depois há toda uma panóplia de enfermos e vítimas, da violência doméstica às catástrofes naturais. Sei que há todo um mundo que sofre e que realmente precisa de ajuda. Fico incomodado, pois sei que há pessoas (muitas) que realmente precisam, e que pequenos gestos podiam fazer uma diferença.

Mas porque é que ninguém pede uns minutos de atenção ou um par de braços para ajudar? Ninguém me pediu umas horas para ajudar a ensinar alguém ler, nem a dar a papa a bebés tão pouco carregar uns sacos de compras ou uns baldes de massa.

Encontro sempre o compre isto para ajudar aquilo. Até pode ser que precisem mas, prefiro ajudar a construir a casa do Gil que andar a comprar swatch. Prefiro ajudar na educação das pessoas que andar a comprar lacinhos vermelhos ou globos de esponja.

Eu sei que o dinheiro é preciso mas procurem outras formas de serem ajudados. Procurem alguém que vos ensine a pescar.

segunda-feira, julho 30, 2007

Free (?)

Como as mentiras que são frequentemente repetidas parecem tornar-se verdade, também as situações há muito por resolver parecem um estorvo depois de resolvidas. Parece incrível mas é verdade, como um condenado a 20 anos ser libertado. Se 20 anos esteve preso como se sentirá agora que liberto?

Não lhe apetecerá marcar uma festa, tão pouco contar. A quem lhe perguntar se foi liberto ele apenas dirá, foi em precária, depois das férias volto lá para dentro. Habituado a ouvir o já falta pouco, nunca acreditou que faltasse pouco. Sempre viu esse dia como distante. Mas agora chegou. Já não vais voltar meu caro, já trouxeste a trouxa da cela e já te despediste dos colegas de cela (poucas amizades fizeste lá dentro!).

Será difícil de perceber aos demais que um condenado queira voltar à cela? A mim não. Vinte anos naquele lugar… A família já se habituara a ir vê-lo à prisão, os amigos (poucos) tinha-os lá dentro. A sua vida era ali, não a empurrar carrinhos de roupa suja mas sim a enroscar casquilhos na oficina. Portava-se bem, era convidado para os programas piloto, tirou cursos, leu livros, enfim, foi bem sucedido. Tão bem que quase não parecia estar preso.

Mas estava. Sempre que voltava da precária sabia que estava preso. Sentia o peso das correntes e as sombras das grades.

Agora está cá fora, liberto, perdido, sem saber o que fazer…

segunda-feira, julho 23, 2007

Adeus Carrefour

O Carrefour vai sair de Porugal.

A razão parece prender-se com o facto de não serem lideres de mercado. A justificação dada é que querem-se concentrar nos mercados onde são número 1. Em Portugal, e face aos rankings divulgados, essa situação estava longe de acontecer, visto que o grupo Sonae lidera com os Modelos/Continentes.

Não fico triste, embora reconheça que gostava de ir ao Carrefour.

Mas este anúncio e esta explicação do número 1 deixa-me a pensar. O Carrefour tinha em Portugal 12 lojas e ao que parece mais uns quantos licenciamentos de novas já aprovadas. Sim, o número 1 da distribuição seria um horizonte longuinquo mas estariam eles a perder dinheiro? Fico um pouco apreensivo pois se já há uma concentração de poderes nesta área, agora ainda o vai haver mais. Fala-se do Grupo Auchan e da Sonae como interessados.

Este grupo Carrefour serviu-me de base a uma teoria que questionava directamente as diferenças salariais entre Portugueses e Europeus. Aquando das eleições francesas, a Segolene agarrou-se a uma "caixeuse" do Carrefour da praça da Bastilha (Paris) dizendo, vergonhoso, esta mulher ganha 900 € (trabalhando part-time). Eu pensei, em Portugal, o preço dos produtos é semelhante, as rendas dos imóveis serão certamente mais baixas... as caixas não ganham aquilo... ganham cerca de um terço! Porquê?

Não quero acreditar que a resposta à minha pergunta será que em Portugal o volume de negócio é menor pois, ao que parece, ainda temos de comer!

Então porque uma cadeia que está a facturar se vai embora? Parece-me que terá recebido uma boa proposta pelos 12 espaços, em adição com algumas dificuldades que a casa mãe possa enfrentar! Não me venham com tretas!

quinta-feira, julho 05, 2007

O Imbecil

Ouvi o António Costa, um dos milhares de candidatos à câmara de Lisboa, dizer ter um plano para fazer regressar jovens famílias a Lisboa. A ideia é então renovar o parque escolar e infraestruturas adjacentes. Segundo ele, esta é a principal causa de abandono da cidade por estas populações. Vou só pôr por outras palavras para não deixar dúvidas do que estamos a falar. Os problemas de abandono da zona nobre da cidade e a migração de famílias jovens para os subúrbios resolvem-se com obras nas escolas e pavilhões.

Tentar adjectivar esta ideia esbarra na completa imbecilidade da mesma. Este senhor candidato (o mesmo que fez a corrida burro/Ferrari na calçada de Carriche, segundo me lembraram) é desprovido de qualquer capacidade de análise e juízo da realidade. Então ao se fazerem obras nas escolas, degradadas por um êxodo sucessivo das novas gerações, as famílias vão regressar. Mas vão regressar para onde? Está previsto um parque de campismo para o Rossio? Talvez na praça da Figueira? A este inergumero nem lhe passou pela cabeça que talvez o que afasta as pessoas desta zona da cidade sejam os preços do imobiliário? Será que já viu o quanto custa uma casa nestas zonas? Realmente, fazer umas obras numas escolas… Você está lá! Por certo terá interesses imobiliários na zona, imagino que tenha adquirido uns imóveis e agora os queira valorizar. Compreendo.

Não se ouviu no entanto nenhuma palavra acerca de Lisboa ter dívidas que a colocam numa situação de falência, nem tão pouco de ter empregados a mais. O que importa e o que é difícil não interessa!

sexta-feira, junho 15, 2007

Curta

Não mais vou querer fazer este caminho. À medida que me aproximo o coração parece bater mais depressa. Desta vez porém, o bater não tem o timbre de outrora. Passei os pontos críticos do caminho, a estrada, as esquinas do caminho, os pontos onde passam sempre as mesmas pessoas. Desta vez porém não fiz o caminho à pressa.

Os corredores parecem apinhados, não tanto como dantes. Se há coisas que mudam, os engraçadinhos da vida é que não. Eu faço, eu aconteço, eu estou-me a lixar, ah ah ah, eu tive 6 eh eh eh, e mais um 10. Nem me apetece contradizer. Essa fase é necessária embora pouco lucrativa. Um dia mais tarde sentar-te-ás talvez aqui e abanarás a cabeça.

Embora me afaste de pontos críticos eles existem e, como em tudo na vida, é quando menos os esperas que eles te encontram. Tens um casaco fixe… ah ya… Vou só ali já venho.

Parece que desta vez me afasto decisivamente deste lugar, ao qual pareço ter uma relação quase maternal. Não entendo porque pois raras foram as vezes que me trouxe alguma tranquilidade.

segunda-feira, maio 28, 2007

Greve Geral

Lembro-me de ter ai uns 8 ou 9 anos e ter havido uma greve geral. Tenho memórias dispersas desses dias. Uma tensão pairava no ar, uma agitação calma das massas. A minha mãe discutia com o meu pai se haveria de abrir a loja. Não queria ser fura-greves mas pensava não ter muito a ver com aquilo. A minha mãe não tinha particular problema em ser conotada com fura- greves, contra o proletariado e afins. Ela tinha medo era que lhe mandassem uma pedrada na montra! Eu olhava cá de baixo e pensava que o melhor era não abrir… mais um dia de férias! E soube que a escola ia fechar. Mas ia fechar porque não havia continuas. Era estranho porque, por maior esforço que fizesse não conseguia pensar em nenhuma das funções das contínuas que, se não realizadas, impedissem o normal funcionamento da escola. Mesmo assim, era um dia sem escola e não era totalmente negativo, se bem que a minha professora nos ia passar ai uma 4 cópias!

O meu pai parecia calmo no dia da greve. A minha mãe decidiu ir abrir a loja mas pediu que o meu pai a fosse levar. Não havia comboios pó Rossio dizia ela. O meu pai, fazia a barba calmamente. A minha mãe esquadrinhava a casa nervosa. O meu pai tinha feito a escala da noite e ainda não se havia deitado. Ela puxava-me as golas e metia-me a camisola para dentro das calças, ajeita-me essa fralda da camisa! Mas para que mãe? Já sabes que me vou desfraldar todo.

O que eu não sabia é que, como não havia escola e o meu pai tinha de dormir, ia com a minha mãe para a loja. A minha mãe trabalhava numa loja de decorações enorme na baixa de Lisboa. Tinha montra para a rua Augusta e fazia traseiras para a rua dos Correeiros. O chão era alcatifado, muito confortável, que há altura me parecia ser mesmo muito parecido com a relva dos campos de futebol. A loja era comprida e muito movimenta mas, a parte que dava para a rua dos Correeiros era mais sossegada. Era para lá que eu ia. Adorava aquilo. Era tudo tão misterioso e labiríntico e perfeito! A porta para a rua estava no trinco mas, sempre que alguém entrava, o detector soava, o que fazia de mim o senhor absoluto daquele mundo. E o melhor: podia mexer em tudo! Sim, os tapetes não se partem!

O dia correu sem sobressaltos. Almoçamos no Regional, lanchamos um sumo de laranja e uma sandes de queijo (eu para qualquer sítio que fosse, levava o meu como tupperware com tampa, cheio ou de leite, água ou sumo de laranja, das laranjas da minha avó) e voltámos para casa à noite, mais cedo que o normal, de boleia com o meu pai.

Na quarta à greve geral.

terça-feira, maio 22, 2007

Genoma: esse falso amigo!

Parece que confiamos sem limites na ciência. Fazemos planos de como será o amanhã. Há uns dias ouvi um biólogo, digno representante da ordem, sobre o advento do genoma humano. Dizia ele que, se tal empresa fosse agora encetada, seria acabada no espaço de um mês e num só laboratório, ao contrário dos 13 anos e vários laboratórios. Conjecturava ainda sobre as possibilidades infinitas desta descoberta. Mesmo balizando os limites deste conhecimento, previa que evoluíssemos para realidades tão abstractas como a terapêutica à la carte, à medida de cada um.

Uma das razões que me fez sair da ciência pura foi esta abstracção. Embora sempre tivesse trabalhado em ciência pura, sempre pensei ter os pés bem assentes na terra. Um dos nossos principais problemas com a ciência é o desligar da realidade. Eu não falo da dicotomia aplicação/não aplicação porque acho que o conhecimento válido é sempre aplicável. O que acho preocupante é este divórcio entre a academia e a indústria. Mais que divórcio, é o movimento em planos completamente diferentes, pois quando se interceptam o resultado é igual a conjunto vazio.

O pensar que estará no horizonte um plano de terapêutica à la carte, e mais que ingenuidade, é um total alheamento da realidade, além de toda a ignorância científica a ela associada.

Ninguém pode negar a importância do mapeamento do genoma. O que sabemos agora é o que está onde. Parece formidável. O problema é que o que sabemos é que o potencial código para a proteína está no loci tal. Fazendo uma comparação muito minimalista, o que nós sabemos é a morada de todas as pessoas do mundo mas não sabemos nem os seus nomes nem as suas profissões. Pior, sabemos a morada de todas as casas do mundo mas, não sabemos nada das pessoas que por lá habitam. Se precisarmos dum canalizador, rompemos um cano e tentamos ver quem acode. Uns não percebem nada, uns pouco desenrascam, e um num milhão percebe mesmo o que está a fazer!

A próxima fase envolve muito mais que o mapeamento. Envolve muito mais que super comutadores. Pensar que a industria está interessada em apostar neste dogma é mover-se numa realidade paralela. Não digo que um dia não será possível mas penso ser a diferença entre um visionário e um tolo a escala temporal!

sexta-feira, março 30, 2007

Meio cheio

Nas minhas deambulações nacionais apercebi-me de pormenores que de outra forma me passariam ao lado. Passo a listar alguns.

Mas o que é que interessa ao povo das Beiras ou do Minho o estado do trânsito em Lisboa ou no Porto? Engarrafamento na 2ª circular, atrasos na VCI… mas que raio têm eles a ver com isso? Por causa dos centros urbanos, todo o país apanha com uma data de minutos de informação completamente inútil.

Não se vive mal no interior. Hoje em dia as acessibilidades são boas, e qualquer ponto do país está mais ou menos acessível. Qualquer territa já tem um bom centro de saúde, restaurantes e alguma animação. Por certo nem tudo é bom, mas também não é tudo mau. Não me venham com tretas!

Enquanto esperava o Alfa na estação da Campanha, observava as pessoas na estação. Sempre gostei de comboios e continuo a achar que são para além de um óptimo meio de transporte, um meio essencial. Pessoas vêm e vão e sinto que aquilo sim é o pulsar do país, pessoas que tentam sobreviver.

Temos a mania de ver sempre o lado pior das coisas, o tão famoso copo meio vazio. Se bem que há uma metade que está vazia, temos de olhar pela que tem realmente qualquer coisa. Temos de ir juntando substância, e se cada um contribuir com pouco, é como a sopa da pedra. Encontro muita gente por ai, restaurantes no interior com bastante gente que anda a fazer negócio, que faz pulsar o país.

Abstraio-me por uma vez da parte vazia desta garrafa.

quarta-feira, março 21, 2007

Ando um bocado de sobrolho franzido com a vida. Parece ser uma espécie de evolução do estado de Neura, essa fiel companheira. Nestes últimos tempos, a falta de tempo de lazer, tem-me levado a colar as folgas com os dias de trabalho, e o meu pobre cérebro não consegue mudar de canal, quanto muito baixa o volume.

Não sou muito influenciado pelo estado meteorológico, antes sim pela luz. Estou ansioso para que a hora mude e finalmente resgate a hora vilmente me tirada há seis meses atrás. Quero cá saber se me tenho de levantar uma hora mais cedo, eu quero é viver!
Pensando melhor é mais uma hora para pensar. Não sei se me poderei dar a esse luxo!

Esta é também aquela fase do ano, a par do Natal, em que a confiança enche os seres humanos. Compras, planos de férias e a habitual triste retoma virtual com base no consumo, a célebre venda de trapos e quinquilharia. Alguém escrevia que em tempos decisivos como estes andávamos ocupados com aborto, eutanásia, casamentos homossexuais e outros tais. Revejo-me neste comentário. Parecem ser cíclicos os tópicos Lã-caprinenses que nos enchem de turpor… Ilusões de actividade, debate e participação democrática. Eu fui votar num referendo sobre o aborto. Agora a uma distância razoável sinto-me ridículo.
Ninguém nunca me referendou sobre a instituição Europeia, o envio de tropas para aqui ou para ali, sobre prioridades de governo. Você concorda que uma mulher não-sei-que-não-sei-quê-mais aborte? E a galinha da sua vizinha será realmente melhor que a sua?

quarta-feira, março 07, 2007

Passa-me ai essa vida, sff

Como vocês sabem as pessoas e os seus comportamentos fascinam-me. Não é o indivíduo só em si que me fascina, antes mais os grupos.

Há um grupo deste em que os seus elementos mudam de vida dum momento para o outro. Não me refiro a apostadores em jogos de fortuna, que acertam numa qualquer chave vencedora. Antes penso naqueles que, por via de relação amorosa, transpões a sua vida para a vida do outro. O que é engraçado, é que falam como se aquela tivesse sempre sido a sua vida. Os amigos mudaram, os sítios mudaram, os sabores e os cheiros… É a transposição de realidades. Fazem um copy da sua vida, e depois um paste special do conteúdo que trazem. Cola-se o conteúdo mas no formato do outro.

Penso que haverá um bom punhado de razões para isto acontecer mas, respeitando-as, não posso deixar de achar o resultado final triste. Ainda por cima, parece ser algo não muito sólido, são relações que se tentam impor ao tempo. A imagem que me vem à cabeça é uma calcificação deficiente dum osso partido. Quando feito à pressa, a zona fica hipercalcificada e irregular. Não tanto pela forma, será mais fácil de partir assim.

Este grupo parece sentir-se mais seguro pois a vida transposta parece já ter rotinas e mecanismos o que no dia a dia dão um jeitasso!

terça-feira, fevereiro 27, 2007

Instantes...

Na caminhada matinal até ao comboio passei por um quiosque que tinha um expositor na rua. Para além duma imensa panóplia de jornais e revista, esteve também exposta uma das milhentas colecções “Planeta Agostinni”. Desta feita era de carros campeões de rallis, ou melhor, antigos campeões de ralli. É um florescer dum novo negócio: as coisas do nosso passado. Com a melhoria das condições de vida, emerge uma nova geração que teve na sua maioria uma infância feliz e farta. Esta geração tem agora condições para se lambuzar em tudo aquilo que os pais não lhe compraram. A cárie prospera!

São imensas as colecções de DVDs de séries dos anos 80 que nos fazem suspirar. Mas agora já temos o poder de concretizar os nossos desejos infantis. E cá vamos nós, com a desculpa de que é para os mais pequenos, comprar os desenhos animados que mais gostávamos, para ver em repeat.

Obrigamos assim os putos a ver aquilo que eles não gostam para que nós tenhamos uma desculpa para ver, alimentando nós assim uma indústria florescente de prestadores de serviços a pré adultos frustrados da infância passada!

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

Onde pensas que vais?

Que acham que acontece quando se pensa? É claro que por detrás da maior parte dos nossos actos está um pensamento. Claro que pensamos agir como nos é apresentado pelo nosso cérebro, resultado duma amálgama genética e de experiências. Não é bem por ai que eu quero ir. Ora vejamos: alguém me diz algo e eu, independentemente de quem é esse indivíduo penso no que ele disse. Articulando o meu pensamento com a informação por este fornecida vou desencadear uma reacção. É a esta reacção que eu quero chegar.

Salta desta ponte amigo, sem olhar para baixo, sem qualquer protecção que eu te garanto que nada de mal te acontecerá. É um exemplo forte mas aqui o uso mais num reforço da ideia. Parece-me claro que o John Doo não irá saltar, a menos que não seja o John Doo e seja o Odie, comandado pela voz doce de Garfield. Aproveitando-me da comparação, tenho por ai visto alguns Odies, talvez em número suficiente para me questionar se o mundo é duma qualquer irmandade de Odies… Penso, logo arranjo problemas. As pirâmides parecem ter um problema com não Odies e eu pensando até consigo perceber porquê. Imaginem uma térmita a questionar as pistas químicas… Jovens companheiras, a mensagem de baba diz que por ali há comida mas também sabemos que por ali há um não menos querido papa-formigas. Temos de fazer opções!

A questão e a dúvida em prol do esclarecimento cabal da informação com vista a uma acção é totalmente tolerada, mais incentivada. O pensamento em relação aos dados contidos numa comunicação e a possíveis actos que daí resultem não é encorajado.

Soldados, peguem nas vossas espingardas enferrujadas, desencravem as baionetas e marchem sobre o inimigo super equipado!

quinta-feira, fevereiro 22, 2007

O Castelo... uns anos depois

Uma vez li um livro do Kafka (rapaz bastante apanhadinho do clima) que falava dum castelo e duma vila no seu domínio. A certa altura aparece uma personagem, um tal agrimensor que viria supostamente para trabalhar no castelo. Mas não se sabe bem porque, nem por quem, é tudo meio nebuloso. O que é engraçado é que nem o próprio sabe ao que vem é aliás o que sabe menos. A princípio um tipo pensa ser aquele um raio dum livro escrito por um tipo completamente queimadinho (true!). Mas vendo mais além, acho agora o livro genial. Tudo se passa num nível quase extra dimensional, tocando-se as várias realidades quase por acaso. O que é engraçado é que os diferentes níveis não só pensam que se movem no mesmo como esperam que tudo entre eles seja transposto da mesma forma quando só aquele pequeno ponto de intercepção é igual.

Aparentemente tal castelo e tal personagem nada têm a ver com a realidade mas, passados uns anos, vejo que aquele louco era mesmo um génio!

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

Vens ou ficas?

Se eu sou uma bela gazela e se me cheira a gato, por certo não será persa! Mesmo que ouça um doce ronronar sei que me tenho de pôr a milhas. E aqui vou eu! Enquanto corro e dou saltos que mostrem ao gatito que estou no pleno poder das minhas forças vejo que o ronronar deu lugar a uma vontade imensa de me tirar um bife. Corri.

Ofegante, chego a uma zona de verdes pastos onde alguns da minha espécie se apascentam calmamente, ignorando completamente a minha desventura com o gato. Retomo o fôlego e meto conversa com um da minha espécie, bem que erva tenra, pois é mas aquela ali é melhor, debaixo daquela sombra. Que tipo fixe, ainda bem que se pode confiar nos da mesma espécie pois já há gatos a mais por ai! Desloco-me para a sombra, que visão, parece ser mesmo a erva mais fresca, onde passa um fino regato. Baixo-me para provar e vejo então que já não tenho chão por debaixo de mim…

Muá ah ah, devias saber, estás na selva!

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

Atenção: Radar

Sempre concordei com a lógica do radar –> foto –> multa. Acho uma imbecilidade os radares ligados aos semáforos que em nada não servem o intento. É certo que aquilo dispara e os condutores são assim lembrados, por via duma paragem forçada no sinal luminoso, que a velocidade não se coaduna ao local em questão. Mas isto não tem resultados práticos… non praxis! Muitas vezes quem faz disparar o sinal passa incólume ficando os labregos lá parados. Depois, que garantia há que o tipo que vai em excesso de velocidade respeita esta sinalização que não mais faz que o obrigar a parar numa recta sem entroncamentos. Por último há a razão ambiental e de sanidade mental. É mais prejudicial ao ambiente o pára/arranca e põe logo um tipo em parafuso ser obrigado a parar porque um menino se lembrou de pisar o acelerador. É o princípio de justiça de jardim infantil, por um pagam todos mas, neste caso os outros condutores não o podem apanhar o outro tipo num canto do recreio e enchê-lo de porrada!
Fazem merda, sorriam que a conta vai para casa! Não temos de estar a levar com a trampa dos outros e a tornar as deslocações em vias como a marginal semelhantes a deslocações de metro!

Gosto do nevoeiro. O desconhecido oculto na bruma… Todos aqueles rolos de humidade que nos deixam de sobreaviso, de sentidos alerta! É algo que aprecio pois normalmente quando o nevoeiro levanta, o tempo fica óptimo. É como que de uma prenda se tratasse.

terça-feira, fevereiro 06, 2007

Os cães ladram...

Entrámos Fevereiro a dentro. As folhas ainda não nasceram mas já se notam os dias maiores. É por estas alturas então que volto a pensar na Natureza das pessoas, potenciado por um qualquer acontecimento. Tempos houve em que se diziam ser as relações, acima de ligações de amos, contractos para a vida, em que os serviços domésticos e o criar das crias era trocado por uma estabilidade financeira mais ou menos estável. Como num contracto que agrada a duas partes, ele mantêm-se até que as partes se sintam satisfeitas. Podia não ser totalmente assim mas, o que também é verdade é que tirando aquele contracto, não se apresentava grande alternativa às partes.

Hoje em dia o amor continua a ser na maior parte das vezes, uma partilha de interesses e necessidades. Parece-me que a pólvora não foi redescoberta mas por vezes, o mais óbvio parece ser o menos visível. Ora, quando as necessidades e interesses não são satisfeitos as coisas começam a correr mal. Nestes contractos parece ser inevitável a quem dá a vontade de receber e quando se dá com a expectativa de receber, há a possibilidade de tudo correr mal. O amor associado à cabana muitas vezes parece começar ser verdade mas depois, há sempre alguém que acha que seja necessário ar condicionado, um plasma, um lugar de estacionamento, um robot de cozinha…

Exagero, ridicularizo, mas fico triste sempre que vejo edificações centenárias ruir, serem abandonadas, não por mim, mas por quem as construiu. Mas os cães ladram e a caravana passa…

terça-feira, janeiro 30, 2007

Através dos tempos fui dominando a fina arte de reconhecer uma neura. Quando não sabemos bem porque estamos assim dizemos que é a neura. Arranjámos o bode expiatório perfeito, só suplantado pelas enxaquecas e pelos nossos fies amigos, quando lhes pedimos sem qualquer receio para que confirmem a nossa história. Quantas vezes recebi um telefonema que do outro lado a informação era esta: “Para que conste, hoje estive a tarde toda na tua casa a jogar computador, pode ser CM.”.

A neura é assim. Existe per si sem precisar de outra qualquer razão. E todos os outros respeitam isto. Mas que tens pá, dói-te a barriga? Não sejas maricas… ah, ‘tás com a neura, ok, então não te chateio mais. A neura é aquela bola a quem nós chutamos com a maior força que tivermos, a velha almofada que recebe o nosso melhor golpe de direita seguido do uppercut, o grito para dentro do saco mas, com a diferença que é à descarada.

O tipo hoje está com a neura, não lhe digas nada. Passa-se alguma coisa? Está com a neura, ah ok, está com a mosca, acontece. Pois é abateu-se-me a neura, portanto não me digam nada.

quarta-feira, janeiro 10, 2007

Tudo corre sobre carris

Quando as coisas correm como prevemos poderá querer dizer que é bom. Diria antes que é uma prova que pelo menos estamos conscientes do que nos acontece, das nossas acções, das nossas capacidades mas, também e mais importante, das nossas limitações. Ficamos logo a saber onde é que acaba o Homem e começa o divino. Como nos jogos viciados, dificilmente se vencem, também onde o divino entra, o homem dificilmente mexe. É uma luta engraçada, pois a subtileza não está em como se desenrola o jogo mas sim nas condições do mesmo. È como se estivéssemos a jogar num campo inclinado na direcção da nossa baliza, ou se jogássemos com os atacadores atados entre os pés…

Pois, não chegaste ainda lá, sabemos que tens os pés e mãos atadas mas devias mesmo assim ter conseguido. É oficial, é o protelado. Quando uma acção é justificada por uma não razão não deve ser considerada… mas tem de ser aceite.

Pelo menos as coisas correm como se estava à espera e dá, ainda que pouco, uma sensação de conforto.

sexta-feira, janeiro 05, 2007

A primavera parece querer despertar. Embora alguns a tentem abafar ela consegue sempre vir ao de cima, tipo azeite. Não penso que o mesmo se passe com as mentiras. Já alguém o disse que uma mentira repetidamente reafirmada passa a ser verdade, passa a ser uma realidade montada e por vezes, tão desejada que parece ultrapassar toda a realidade anterior.

Ao contrário de que se possa pensar, nem todos os jogadores perdem, nem todos os maus são apanhados e, acima de tudo, poucos são os filhos da puta (tinha escrito intrujões mas é mesmo este o nome que quero aplicar) que são desmascarados. Eu posso dizer que sim mesmo sendo não. Se repetir o sim muitas vezes ele fará uma ressonância tal que ofusca o não, de tal maneira que a páginas tantas já nem sabemos o que temos em mãos. É como aqueles números de telefone que usamos tantas vezes que já nos parecem impressos como marcas dum ferro de coudelaria. Mas, deixado de ser usado, ele é rapidamente esquecido… ah pois é, é isso. Alguém nos aventa uma combinação de números que funciona como catalizador e então, dá-se o efeito de túnel, dando-se a reacção com uma barreira de energia menor.

Tento sempre pautar-me pelo contrário de tudo aquilo que escrevi. Tenho conseguido?

quarta-feira, janeiro 03, 2007

Novo ano. Estou com um estranho problema com a net em casa. Parece ser de luas.
A passagem de ano lá se passou, foi porreira mas, por mais que se faça há sempre qualquer coisa que parece que nunca encaixa na perfeição. Temos a consciência disso. Vivemos com isso.
Não seria inteligente tourear o Natal? As promoções começam agora, está tudo mais barato. O Natal implica que paguemos o dobro por objectos que poderão não servir o propósito... e como eu fico danado com isso.
Há dias que me apetecia ir para casa e ficar a vegetar, com consumo de 2 ou 3 gomas ursinho por hora. Há dias assim, mas também os há diferentes.
Olha, chega aqui!